terça-feira, 31 de dezembro de 2019

A mentira foi o grande destaque do primeiro ano do governo Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro em evento militar no Rio de JaneiroImagem: Mauro Pimentel/AFP

O primeiro ano de Jair Bolsonaro demonstrou que tanto o presidente da República quanto parte de sua equipe usaram a mentira e a falácia como instrumentos cotidianos de governo. Todo mandatário mente. A questão é quando isso se torna parte estrutural de uma gestão, estando presente em discursos, entrevistas, reuniões, para refutar quaisquer fatos e dados comprovados que estejam na contramão dos desejos do presidente.

Quando pego no pulo, Bolsonaro adotou a tática Donald Trump, afirmando que nunca disse o que efetivamente disse e chamando a imprensa de "fake news". Como muitos de seus seguidores não se deram ao trabalho de checar em fontes confiáveis, a culpa passou a ser dos "jornalistas que querem derrubar o presidente".Bolsonaro culpou indígenas, ONGs e até o ator Leonardo DiCaprio pelas queimadas na Amazônia. Disse que tinha a "convicção" de que os dados de desmatamento (que saltou este ano) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais eram mentirosos e acusou o cientista Ricardo Galvão de estar "a serviço de alguma ONG". Ignorando a realidade, cravou que não existe fome no Brasil.

Chamou o vazamento de óleo que atingiu as praias do Nordeste e do Sudeste de criminoso, chegando a dizer que poderia ser uma ação para prejudicar o leilão da cessão onerosa do Pré-sal - mas até hoje seu governo não descobriu o que de fato aconteceu. Bradou que a metodologia de cálculo de desemprego do IBGE, que segue padrões internacionais, é errada simplesmente porque ela não o ajudava. Disse que a Petrobras não aumentaria o preço da gasolina e do diesel, para depois vermos reajustes em série.

Disse que a tortura pela qual a jornalista Miriam Leitão sofreu era mentira, que o jornalista Glenn Greenwald se casou e adotou crianças para evitar ser deportado, que a jornalista Constança Rezende conspirava contra seu filho. Afirmou que trabalho escravo é um exagero e que fiscais libertam pessoas pela pouca espessura de colchões ou pela falta de copos decentes.

Após visitar o Memorial do Holocausto, em Israel, afirmou que o nazismo foi um movimento de esquerda - para espanto de judeus e alemães. Revelou saber o paradeiro do corpo de Fernando Santa Cruz, que morreu lutando contra a ditadura, apenas para espezinhar seu filho, Felipe, presidente da OAB. Aliás, repetiu exaustivamente que não houve ditadura no Brasil.

Afirmou que "estamos terminando 2019 sem qualquer denúncia de corrupção", escondendo o laranjal do seu ministro do Turismo e do partido que o levou à Presidência, isso sem contar das lambanças de seu chapa, Queiroz. Atestou que o viés ideológico deixou de existir em nossas relações comerciais, o que não condiz com a verdade - basta ver o comportamento de vassalagem diante dos Estados Unidos e o excesso de ideologia que colocou em risco exportações à Europa e a países islâmicos. Disse que seu ministério é técnico, apesar das ações de Abraham Weintraub terem apontado o contrário.

Enquanto isso, o general Augusto Heleno, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, disse que as taxas de desmatamento eram manipuladas e infladas. Osmar Terra, do Ministério da Cidadania, disse não confiar em pesquisas da Fiocruz, instituição de renome internacional, ignorando os resultados porque não o apetecia. O chanceler Ernesto Araújo disse que as mudanças climáticas são uma farsa e afirmou que o aumento da média da temperatura global ocorreu porque estações de medição de temperatura que estavam no "mato" hoje estariam no "asfalto".

Tudo isso foi apenas um aperitivo. Teve muito, mas muito mais. Cotidianamente.

Tanto que, de acordo com o Datafolha, 43% dos entrevistados disseram que nunca confiam em afirmações do presidente, e 37% declararam confiar às vezes. O país se acostumou a um presidente que mente.

Bolsonaro acredita que foi eleito para empreender uma Cruzada, no significado medieval da palavra. Quer libertar o país tanto de um comunismo inexistente quanto de comportamentos e costumes progressistas - que, em sua opinião, são a origem do mal. Mas também tenta reescrever a História sob seu ponto de vista.

Isso não é só cortina de fumaça com objetivos políticos ou exagero para manter seguidores excitados e prontos para a batalha virtual. Ele realmente acredita nisso, por mais ridículo que pareça. Alimentado por paranoias e teorias da conspiração, muitas de suas ações seguem pelo caminho iluminado pela filosofia superficial do polemista Olavo de Carvalho.

Como já disse aqui, não age como presidente, mas como se comandasse o "Ministério da Verdade" - apresentado no romance "1984", de George Orwell, com a função de ressignificar os registros históricos e qualquer notícia que seja contrária ao próprio governo. Para tanto, sua máquina de guerra nas redes sociais e nos aplicativos de mensagens, fundamental para sua eleição, continua ligada e é usada para atacar violentamente a imprensa, cientistas, professores, o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal e qualquer um que o critique ao invés de dizer amém.

Bolsonaro tem demonstrado acreditar que sua palavra é o que dá significado ao mundo e as coisas são o que ele diz que são, características de governantes autoritários. Para ele, "verdade" é tudo aquilo que sai de sua boca. E "mentira" é tudo aquilo que o contradiz.

O presidente afirma gostar da passagem bíblica do "Conhecereis a verdade e ela vos libertará" (João 8:32), mas parece, de fato, se identificar com "Eu sou o caminho, a verdade e a vida" (João 14:6).

Em tempo: Foi um. Faltam três. Ou sete. Ou mais anos, se as instituições não forem firmes o bastante.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Venezuela acusa Brasil de ser ‘santuário de terroristas’

Mundo 

Advogados de Lula rebatem O Globo e denunciam Lawfare

Não podemos concordar com a posição do GLOBO em editorial publicado em 25 de dezembro — que tenta negar o conceito de lawfare (em vernáculo, guerra jurídica) que defendemos em publicações científicas e que identificamos em casos concretos como o do ex-presidente Lula, de outros líderes políticos dos mais diversos matizes, e também em casos envolvendo empresas, como o da Siemens. Fomos nós que, em 2016, usamos pela primeira vez no continente sul-americano a expressão lawfare, embora ela não fosse inédita. No recém-lançado livro “Lawfare: uma introdução”, defendemos, numa releitura do fenômeno, que lawfare significa o uso estratégico do Direito para fins políticos, geopolíticos, militares e comerciais. Citamos os exemplos acima referidos.

O Direito jamais poderia ser utilizado para destruir ou fragilizar o adversário ou o inimigo eleito. Originariamente, os americanos se afirmavam vítimas de lawfare. Criticavam o uso estratégico do Direito, notadamente do Direito Internacional, para deslegitimar as campanhas militares daquele país e de Israel. Os americanos, porém, viram na guerra jurídica uma forte aliada na conquista de aliados geopolíticos e de mercados e passaram a utilizá-la com enorme desenvoltura.O lawfare não é tão visível quanto as guerras convencionais porque o inimigo é atacado justamente sob o pretexto da necessidade de se cumprir a lei e os procedimentos jurídicos — embora resulte na própria negação do Direito. Para viabilizar o lawfare, cria-se uma verdadeira campanha, com o auxílio da mídia e de operações psicológicas, para envolver a população e tornar aceitáveis os abusos que acompanham o fenômeno em busca de combater um imaginário mal maior. Tal como na guerra convencional, o lawfare envolve a implementação de táticas e estratégias. A guerra praticada com o uso das leis tem um custo imediato significativamente menor do que as guerras convencionais, mas seu poder de destruição é similar e muitas vezes superior, porque não está limitada a uma determinada área geográfica.

É sintomático que O GLOBO tenha recorrido a uma declaração factualmente incorreta do atual presidente do TRF-4 para negar a prática de lawfare contra Lula. Segundo o magistrado, nenhum advogado na Lava-Jato teria sustentado a inocência de seu cliente na operação. Porém, na defesa do ex-presidente não só demonstramos que ele é vítima de lawfare como também sustentamos e provamos a sua inocência.Um dos laudos periciais que produzimos na defesa de Lula atualmente está sendo utilizado até mesmo por Marcelo Odebrecht para se insurgir contra seus pares. Prova que valores que o Ministério Público acusa terem sido pagos a agentes públicos foram em verdade destinados a colaboradores da própria Odebrecht. O grupo foi escolhido como um verdadeiro “cavalo de troia”, pelas suas ramificações em diversos países, para destruir governos e democracias em favor dos interesses geopolíticos e comerciais americanos. Por isso, a similitude das acusações apresentadas contra líderes políticos de diversos países.

Não se pode perder de vista que o lawfare não tem ideologia. Pode atingir líderes políticos de esquerda ou de direita. Pode atingir empresas e atividades empresariais das mais diversas nacionalidades. O FCPA, lei americana editada para punir empresas daquele país que praticam suborno no exterior, está sendo indevidamente utilizada como uma das principais armas no lawfare, pela sua possibilidade de alcance global. No Brasil não é diferente.Lamentavelmente, o lawfare é uma realidade. Para enfrentá-lo, é preciso, em primeiro lugar, conhecê-lo. Para isso, temos dado a nossa contribuição, não apenas divulgando nossos estudos mas também criando o Instituto Lawfare, em 2018, para produção de conteúdo e análises de casos concretos.

Cristiano Zanin e Valeska Martins são advogados do ex-presidente Lula e fundadores do Lawfare Institute

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Aras, o PGR crítico da Lava Jato

domingo, 29 de dezembro de 2019

Deputado do PSL bate boca com Carluxo

Brasil 

Fake News de Natal: lojistas de shoppings entrarão na justiça para contestar dados que apontam alta nas vendas

28 DE DEZEMBRO DE 2019, 18H44
2' 
Shopping vazio (Agência Brasil)
28 DE DEZEMBRO DE 2019, 18H44

Fake News de Natal: lojistas de shoppings entrarão na justiça para contestar dados que apontam alta nas vendas

"A pesquisa da Alshop é falsa, é fake news. Ela está gerando desconforto e revolta entre os lojistas", disse Tito Bessa Júnior, que é presidente da Associação Brasileira dos Lojistas Satélites e fundador da rede TNG

  

A Associação Brasileira dos Lojistas Satélites (Ablos), que reúne cerca de 105 mil pequenos empresários que atuam em 563 shoppings e geram mais, de 1 milhão de empregos, pretende entrar na justiça para contestar o crescimento das vendas de Natal divulgado há dois dias pela Alshop, uma outra associação que reúne cerca de 54 mil lojistas de shoppings e que aponta aumento de 9,5% no comércio natalino, além de crescimento de 7,5% no ano, em valores nominais.

“A pesquisa da Alshop é falsa, é fake news. Ela está gerando desconforto e revolta entre os lojistas”, disse, em entrevista ao Broadcast, da Agência Estado, Tito Bessa Júnior, que é presidente da Ablos e fundador da rede TNG – que empatou em vendas com o ano de 2018.

A associação não tem uma pesquisa própria que apure o desempenho das vendas. Em vez disso, tem uma sondagem com seus associados, informa Bessa, na qual 70% afirmaram que as vendas natalinas de 2019 foram iguais ou piores do que as de 2018, enquanto só 30% disseram que as vendas melhoraram.

“Não sei de onde eles tiraram esse número, tenho conversado com vários lojistas e os mesmos disseram que tiveram queda”, afirma Ângelo Campos, diretor da MOB.

Fernando Kherlakian, diretor da rede Khelf, também estranhou os dados da Alshop. “A gente teve uma queda de 2% e eles estão falando que o mercado em geral cresceu 9%. Não é real isso”, diz.

Tinho Azambuja, fundador da SideWalk, também contesta o dado da Alshop. “No dia 2 vou enviar notificação extrajudicial, particular da SideWalk, pedindo explicações sobre esses números. Eu quero saber de onde veio esse número totalmente irreal”, diz.


"Para ganhar copa do mundo é preciso alguém chamar a responsabilidade pra si"

Tá na hora de surgir um novo jogador brasileiro para honrar a amarelinha e nos presentear com o hexa!